Abertura — o problema (0:00–0:50)
Bom dia. Eu sou o Ricardo, fundador da VANHALL. Vou começar com uma pergunta simples: como você confia em um dado que não pode verificar sozinho?
Em 2014, no porto de Qingdao, na China, o mesmo estoque de metal foi usado como colateral em empréstimos simultâneos com múltiplos bancos. Ninguém verificou fisicamente se aquele metal existia de fato, ou se era o mesmo em cada operação. O resultado foram perdas bilionárias.
E esse não é um caso isolado — é um padrão que se repete: lavagem de madeira na Amazônia, fraude de laboratório em mineração, substituição de carga em portos. Em todos, o dado que entrou no sistema foi declarado, não confirmado fisicamente na origem.
O que a VANHALL propõe (0:50–2:00)
A VANHALL nasceu para resolver isso: certificar a origem física do ativo, para que terceiros possam usá-lo como colateral de crédito, prova de conformidade, ou base de auditoria confiável.
A arquitetura que propomos funciona em três passos: capturar o evento físico no exato momento em que acontece — peso, local, timestamp. Um elemento de hardware seguro assinaria esse dado criptograficamente, vinculando-o matematicamente àquele instante. E esse dado assinado se conectaria ao sistema de gestão que a empresa já usa — sem substituir, reforçando.
Sendo direto sobre onde estamos: essa arquitetura é a nossa hipótese técnica central, ainda em fase de validação de viabilidade — ainda não temos hardware construído, nem protótipo. Priorizamos validar se estamos resolvendo a dor certa antes de investir ciclo de engenharia nisso, exatamente para não repetir o erro mais comum de deep tech, que é construir a solução antes de confirmar o problema.
Por que agora, e para quem (2:00–3:00)
Quem sente essa dor hoje são gestores de crédito e risco em bancos e tradings que financiam operações com colateral físico, e cada vez mais, empresas industriais pressionadas por exigência regulatória de rastreabilidade.
Um exemplo concreto: o Ministério do Meio Ambiente publicou recentemente um comunicado deixando explícito que a comprovação de metas de logística reversa agora exige lastro documental por tonelada, com verificador de resultados independente. Isso não está em piloto — já são treze entidades gestoras habilitadas.
Validação de mercado (3:00–5:30)
Aqui eu quero ser transparente com vocês, porque acho que isso diz mais sobre a maturidade do nosso negócio do que qualquer número inflado poderia dizer.
Nós não temos piloto pago fechado hoje. E não é por falta de tentativa — é porque testamos hipóteses com rigor, e descartamos as que não passam.
Testamos a hipótese de gestores de piso industrial. Entrevistamos um gestor real, e descobrimos que a confiança relacional entre as pessoas na planta já absorvia o risco que achávamos que precisava de solução técnica. Descartamos.
Testamos a hipótese de operações portuárias. A resposta que recebemos foi ainda mais reveladora: a pessoa com quem conversamos nesse mercado já tentou vender esse conceito desde 2020 e nunca conseguiu — não porque a tecnologia fosse ruim, mas porque a conversa nunca chegou em quem decide sobre auditoria ou compliance, só em quem opera o pátio no dia a dia. Isso não descarta a hipótese — descarta a porta de entrada que usamos.
A conversa mais avançada que temos hoje é com a Minha Coleta, plataforma de logística reversa com mais de 800 empresas no ecossistema. Essa validação veio do próprio CEO, Eduardo Nascimento, que reconheceu espontaneamente, em reunião, que o caso de desvio de produto licenciado durante descarte é exatamente onde faz sentido conversarmos. Estamos buscando, dentro do ecossistema deles, um cliente verticalizado para o primeiro teste real.
Modelo de negócio (5:30–6:30)
Nosso modelo tem três camadas: HaaS, hardware como serviço, ponto de entrada; SaaS, plataforma de gestão; e TaaS, trust as a service — projetado para setenta e quatro por cento da receita até o ano três.
Time (6:30–7:30)
Somos quatro fundadores, com competências complementares: eu cuido de negócio e estratégia. Lucca Muller traz criptografia e blockchain. Gabriel Fonseca lidera inteligência artificial, incluindo o roadmap do Oráculo que Pensa. E Everton contribui com background em hardware embarcado — essa é justamente a frente que estamos priorizando ativar com mais intensidade agora, à medida que avançamos da validação de mercado para a validação técnica.
O que buscamos (7:30–9:00)
Não viemos pedir só capital. Precisamos de conexão — acesso a quem decide sobre auditoria, compliance ou financiamento dentro de empresas industriais que já trabalham com parceiros como a Minha Coleta.
E precisamos de rede técnica também — especialistas em hardware seguro e criptografia embarcada que possam ajudar a validar e acelerar essa arquitetura, já que essa é, hoje, nossa frente menos madura.
Fechamento (9:00–9:40)
Encerro com uma coisa que talvez explique por que pensamos assim sobre confiança. O nome VANHALL vem de Walraven van Hall, um banqueiro holandês que financiou clandestinamente a resistência contra a ocupação nazista, através de um sistema em que centenas de pessoas confiavam no que não podiam verificar sozinhas.
Não comparamos a gravidade daquilo com o que resolvemos hoje. Mas herdamos o princípio: um sistema de confiança bem desenhado não depende de vigilância constante, nem de uma autoridade central visível.
Confiança não se declara. Se prova, na origem, antes que alguém precise acreditar.
Obrigado.